Os Testes Rápidos de Angra

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Ao contrário do que foi amplamente divulgado, a Prefeitura de Angra não tentou comprar 50 ou 40 mil testes rápidos de Covid-19 no início da Pandemia. Documentos obtidos pelo Angranews mostram que o objetivo sempre foi adquirir 10 mil unidades destes exames, o que contradiz declarações de autoridades municipais.

No dia 21 de Março, logo no início da Pandemia de Covid-19, durante uma entrevista, o Secretário de Saúde, Rodrigo Mucheli, junto com o Prefeito Fernando Jordão, anunciou que seriam comprados 50 mil unidades dos testes rápidos. Dias depois, em 27 de Março, a própria Prefeitura de Angra informou que seriam comprados 40 mil testes rápidos. Já em 15 de Abril, em entrevista ao Programa Passando a Limpo, da Rádio Costazul, o Secretário corrigiu a informação passada pelo próprio Executivo e afirmou o seguinte:

Os 30 mil a gente está em um processo de aquisição, mas a gente ainda não conseguiu encaixar a negociação, existem muitas promessas de que tem o teste, que entrega e para isso a gente tem que ter muita segurança que é um valor agregado alto, tem que usar com responsabilidade, então a gente precisa realmente encaixar esse fornecedor com critério e responsabilidade, porque este serviço, esse procedimento, vou precisar prestar conta e dessa maneira a gente tem trabalhado com muito critério“, afirmou Mucheli.

Documentos obtidos pelo Angranews, via Lei de Acesso a Informação, mostram uma história diferente do que foi relatado pelas autoridades. Dois dias antes da primeira entrevista, em 19 de Março, na solicitação de Cotação de Preços (o documento que da início ao processo de compra) assinado pelo próprio Secretário de Saúde, há a prova de que a intenção do município era mesmo comprar apenas 10 mil unidades destes exames.

Solicitação de Cotação de Preços

Lembramos que, além da situação dos Testes Rápidos, informações sobre a quantidade de equipamentos adquiridos pela Prefeitura de Angra no início da Pandemia se mostrou conflitante em diversas oportunidades, como aconteceu com a questão dos 100 leitos com respiradores da Santa Casa que depois viraram 40. Destacamos ainda que nem mesmo em uma Audiência Pública de prestação de Contas a Secretaria de Saúde soube informar quanto pagamos por estes equipamentos.

O fornecedor

Mapa de preços

Estes testes rápidos, conforme o Angranews revelou na época, foram adquiridos da empresa Lemarc Produtos Médicos Hospitalares, em contrato emergencial para o qual foram empenhados R$2,2 milhões, o que dá um custo de R$220 por teste. Na época a Prefeitura cotou preços para os testes rápidos com três empresas: Lemarc, Lumen e Doctor Service.

Vale destacar que, desde o início da Pandemia, a Prefeitura já empenhou um total de R$8.378.000,00 em compras sem licitação junto à Lemarc e R$1.382.500,00 com a Lumen, para compras de insumos hospitalares a Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A Doctor Service não aparece na lista de empenhos do Covid-19.

Quanto custa um teste rápido por aí?

Com base nos dados disponibilizados pela Prefeitura de Angra fizemos uma pesquisa sobre quanto outras Prefeituras e Governos vêm pagando por testes rápidos e nossa constatação é que os valores variam bastante.

A Prefeitura de Piên, no Paraná, licitou junto ao Consórcio Intermunicipal do Nordeste de Santa Catarina, testes rápidos do tipo Medteste Coronavírus, por U$15 cada. No total, os municípios do grupo gastaram R$2,2 milhões para a compra de 30 mil kits.

No sistema de compras do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (CISVALE), do Rio Grande do Sul, localizamos uma compra de kits de testes rápidos no qual o valor individual saiu por R$95. Já a Prefeitura de Aceguá, também no Rio Grande do Sul, pagou R$100 por teste.

A prefeitura de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, pagou R$124 por kit do modelo Medteste. No total foram adquiridas 1800 unidades.

Já segundo o site O Popular, o governo de Goiás cancelou uma compra emergencial no valor de R$38,7 milhões de 300 mil testes rápidos. O valor de cada kit sairia por R$129.

A Aeronáutica, por sua vez, segundo o UOL, pagou R$149 por teste. O órgão gastaria R$ 2,384 milhões com 16 mil testes. Ainda segundo a reportagem, (que não detalhou o modelo do teste) o valor seria 50% maior do que o cobrado pela Fiocruz.

No site de Compras Públicas do Governo do Estado do Rio de Janeiro, localizamos duas compra de kits de checagem rápida para detecção do Novo Coronavírus. Ambas são do dias 27 de março, sendo que a primeira tem valor total de R$9 milhões, com custo por unidade de R$180. Na segunda operação, com valor total de R$77,3 milhões, para a compra de 600 mil unidades, o valor unitário saiu por R$128,90.

A Prefeitura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, está com uma licitação em andamento para a compra de 60 mil kits de testagem rápida. O valor total da licitação está estimado em R$ 17.320.080,00, se este preço se confirmar o valor unitário será de R$209,75, mas como o processo ainda não foi finalizado, é possível que este valor se altere.

Paraty, adquiriu emergencialmente 1600 testes rápidos, com recursos próprios, do modelo MedTest IgG/IgM para detecção de anticorpos para Covid-19 em sangue total, soro ou plasma. O valor total da compra foi de R$ 375 mil, o que significa um valor unitário de R$234,37.

Redação

Site de notícias da região da Costa Verde fluminense: Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty.