Incidência de Covid por habitante na aldeia Sapukai é 10 vezes maior do que no restante de Angra, aponta UFF

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Um novo relatório produzido pela UFF mostra um quadro bastante preocupante em relação à Pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19) na aldeia indígena Sapukai, em Angra dos Reis. Segundo o levantamento, a incidência da doença entre os guaranis por habitante é, em média, 10 vezes maior do que fora da aldeia.

Como vem sendo mostrado pelo Angranews, o Instituto de Educação de Angra dos Reis – Universidade Federal Fluminense (IEAR-UFF) está realizando um grande estudo sobre a pandemia do Novo Coronavírus na Costa Verde fluminense, com o objetivo de produzir informações a partir de dados oficiais. Este levantamento é coordenado pelos Professores Doutores Anderson Sato, Domingos Barros Nobre, Monika Richter e Michael Chetry.

Nesta semana a universidade publicou um novo relatório, focado na aldeia indígena Sapukai (Guarani Mbya), localizada na região do Bracuí, em Angra dos Reis. De acordo com o levantamento, a aldeia apresentou, em média, coeficiente de incidência (casos confirmados/habitante) para o novo coronavírus 10,4 vezes maior que o restante do município de Angra dos Reis, destacando a grave situação da pandemia de COVID19 neste território tradicional”.

Os pesquisadores mostraram ainda que entre os dias 25 de junho e 1º de Julho (seis dias) houve um aumento de 47% nos casos de Covid-19 entre os indígenas, saindo de 30 para 44 confirmações. Mais da metade das pessoas infectadas na aldeia são assintomáticas ou apresentam poucos sintomas.

Mulheres indígenas são as mais afetadas

As mulheres indígenas são as mais afetadas, apresentando incidência de Coronavírus 12,6 vezes maior do que o restante da população de Angra dos Reis. Entre os homens da aldeia o índice é oito vezes superior ao que o restante da população do município.

A incidência de Coronavírus maior entre as guaranis pode ser explicada pelo fato de que “são as mulheres que cuidam das crianças, da comida e dos enfermos num joapygua (círculo social/familiar), lidando portanto, com as roupas, utensílios, alimentação de todos da casa, tendo maior exposição e contato com o vírus, que os homens”.

Vale destacar que um estudo nacional feito em 133 cidades brasileiras mostrou que não há diferenças significativas da prevalência do Covid entre os sexos pelo país.

Pesquisadores apontam medidas de enfrentamento

Os pesquisadores sugerem que seja ampliada a testagem nos indígenas, para identificar e isolar os pacientes positivos para o novo coronavírus, assim como rastrear seus contatos. Outra medida importante é a conscientização sobre a importância do isolamento das pessoas doentes do convívio com seus familiares.

Destaca-se a necessidade de que as características culturais e sociais destes povos tradicionais sejam consideradas e o diálogo seja estabelecido com seus representantes, tanto do sexo masculino quanto feminino, em especial com os representantes indígenas locais no CONDISI – Conselho Distrital de Saúde Indígena e técnicos da S.M.S. – Secretaria Municipal de Saúde, para planejamento de medidas preventivas eficazes, tais como o isolamento em um espaço adequado na própria aldeia, retirando os casos suspeitos e confirmados do convívio do seu joapygua”.

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Redação

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