Bando aterroriza família no mar de Paraty

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Um passeio de barco por Paraty, na Costa Verde, virou pesadelo para uma família de Ubatuba (SP), na madrugada do último dia 21. Ancorado nas proximidades da Ilha do Cedro, um iate de 60 pés foi atacado por cinco bandidos, que usavam luvas e capuzes. Um médico paulista, seus parentes e a tripulação foram rendidos e torturados.
Por volta das 2h, a família jogava cartas na lancha quando um bote se aproximou silenciosamente com os homens. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na delegacia de Paraty pelo filho do médico, que também estava na embarcação, os assaltantes tinham sotaque carioca. Todos os ocupantes foram obrigados a ficar nus e, depois, separados e amarrados. Passaram por afogamentos e foram ameaçados com facas.
Doze pessoas estavam na embarcação
Com medo de revelar o nome, o médico que é membro do Iate Clube de Ubatuba, contou ao GLOBO que três bandidos entraram no barco, mas disseram haver outros dois no bote em que chegaram. O médico foi separado da família e, na sequência, foi agredido e passou por afogamentos. No total, dez pessoas da família e dois marinheiros estavam na embarcação.
— Foram duas horas e 20 minutos de barbárie. Foi traumatizante. Acho que agiram com tanta violência exatamente para que ficássemos com medo e não prestássemos queixa — relatou o médico.
Segundo a vítima, os marinheiros foram presos na parte de baixo da embarcação e também teriam apanhado. Ninguém ficou ferido com gravidade:
— Foram hematomas e pequenos cortes. Mas o trauma psicológico é terrível. Nem quero mais falar disso. Quero esquecer.
Para o médico, os ladrões pareciam ter conhecimento sobre quantas pessoas e quem estava no barco.
— Eu disse para eles não entrarem na cabine onde estavam meus pais, que são idosos e cardíacos. Eles não entraram, mas por quê? Porque têm boas intenções ou porque sabiam quem estava ali e que eles não iriam oferecer resistência.
Alguns objetos e equipamentos do barco foram levados, além de uma arma de fogo registrada. A delegacia de Paraty procura entre pessoas conhecidas da família possíveis suspeitos do crime. De acordo com o comissário Lauro Américo, da 167ª DP (Paraty), chama atenção o fato de os bandidos usarem capuzes durante toda a ação, o que poderia não ser necessário se fossem desconhecidos da vítima.
A polícia investiga a possibilidade de um ex-empregado da família estar envolvido. Na delegacia, no entanto, a vítima disse não suspeitar de ninguém.
A Ilha do Cedro costuma receber muitos barcos, principalmente nesta época de alta temporada. Com duas praias de areia branca e dois bares, o ponto turístico costuma ser elogiado em blogs náuticos. A ilha fica na Baía de Paraty, de águas calmas e claras, a cerca de duas horas do cais da cidade histórica e próxima à Praia de Tarituba, que tem uma pequena vila de pescadores.
Presidente do Sindicato dos Proprietários de Marinas do Estado do Rio, Antônio Carlos Lobato acredita que o crime tenha sido um fato isolado, já que jamais soube de um assalto na região. Para ele, não há motivos para preocupação:
— Temos 1.300 embarcações nas nossas duas marinas na Costa Verde, e isso nunca aconteceu. Não temos registro de assalto, mesmo porque não costumam ser levados objetos de valor a bordo. Os barcos mais modernos possuem radares que acusam a aproximação de estranhos. A qualquer sinal de perigo é possível soar o alarme.
O presidente do Paraty Convention Bureau, Álvaro Bacelar, também ficou surpreso com o assalto. Ele afirmou que nunca havia ouvido falar de um caso como esse:
— Moro em Paraty há 16 anos e nunca soube de roubos dessa natureza. Como o grupo é de fora, poucos ficaram sabendo do crime.

O Globo

Redação

Site de notícias da região da Costa Verde fluminense: Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty.