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Hans Staden
Angra há 11 h2 min de leitura

Hans Staden

Em janeiro de 1554, o artilheiro alemão Hans Staden foi capturado por guerreiros tupinambás durante uma caçada nas proximidades do forte de Bertioga, na capitania de São Vicente (atual São Paulo). A serviço dos portugueses, tinha cerca de 29 anos e permaneceu nove meses prisioneiro, percorrendo parte do litoral até a região da baía da Ilha Grande.

Uma das passagens mais interessantes de seu relato acontece na aldeia de Arira, identificada pelos editores com a atual localidade de Ariró, em Angra dos Reis. Ali, Staden foi apresentado ao chefe Cunhambebe. Ao se aproximar das cabanas, ouviu cantos e trombetas. Diante delas havia quinze cabeças espetadas, pertencentes a inimigos maracajás que haviam sido devorados.

Cunhambebe o recebeu sentado, com uma grande pedra verde atravessada no lábio e um colar de conchas com “mais de 6 braças de comprido”. Perguntou por que Staden atirava contra os seus em Bertioga. O alemão respondeu que os portugueses o obrigavam. Em seguida, o filho do chefe amarrou as pernas do prisioneiro em três lugares e o fez pular com os pés juntos, enquanto os indígenas gritavam: “Aí vem a nossa comida pulando”.

Três capítulos depois, Staden relata o ataque dos tupiniquins à aldeia de Mambukaba, na região chamada hoje de Mambucaba. As cabanas foram incendiadas, os moradores fugiram e um menino foi capturado. Mais adiante, o irmão do chefe Nhaêpepô-oaçu procurou Staden para pedir que orasse pela cura dos familiares doentes. A localização exata dessa aldeia histórica ainda é objeto de discussão.

De volta à Alemanha, Staden publicou em Marburgo, em 1557, seu livro História verdadeira e descrição de uma terra de selvagens nus, ferozes e comedores de homens. O texto foi revisado e aperfeiçoado pelo médico Johann Dryander, professor da Universidade de Marburgo.

A obra tornou Cunhambebe conhecido entre os leitores europeus, eternizando a figura de um dos mais poderosos líderes tupinambás do século XVI. Também preservou registros valiosos dos povos indígenas e da história da região de Angra dos Reis.

Fonte: Hans Staden, Viagem ao Brasil (1557).
Imagem gerada com base em retratos históricos