Angra está entre as dez cidades com maior risco de deslizamento do país
Um estudo do MapBiomas divulgado na quarta-feira (04/11) colocou Angra dos Reis entre as dez cidades brasileiras com maior risco de deslizamentos. O município é uma das quatro cidades do Rio de Janeiro na lista, ao lado de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis. O levantamento compara a expansão urbana e a perda de vegetação entre 1985 e 2025.
No município, o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), feito pelo Ministério das Cidades, pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pela Prefeitura, mapeou 126 setores de risco, que reúnem 2.861 domicílios e 7.896 habitantes — 4,7% da população. Desses imóveis, 1.519 estão em risco alto (R3) e 1.342 em risco muito alto (R4), quase metade do total.
O histórico local sustenta o alerta. Segundo o PMRR, 98% das mortes causadas por desastres ligados a chuvas extremas no município foram provocadas por deslizamentos. Entre 1988 e 2022, foram mais de 100 óbitos por movimentos de massa, taxa superior a 49 mortes por 100 mil habitantes, uma das mais altas do país. Um estudo do IBGE de 2018, com base no Censo 2010, apontou que 38,9% dos moradores — cerca de 66 mil pessoas — viviam em áreas suscetíveis a deslizamentos e inundações.
O levantamento nacional mostra que o Rio de Janeiro concentra 781 hectares de favelas sob risco de deslizamentos, a maior área do país. Em 40 anos, 77,6% das comunidades brasileiras perderam ao menos 10% da cobertura vegetal, e a área urbana do país cresceu 132%.
“Temos uma ocupação que foi sendo desenvolvida nessas décadas e, ao mesmo tempo, uma urbanização que chamamos de urbanização cinza”, afirmou o sociólogo Alan Brum, planejador urbano de favelas.
Fonte: g1