A queda do meteorito Angra dos Reis
A QUEDA DO METEORITO ANGRA DOS REIS
Há 4,56 bilhões de anos, um protoplaneta do tamanho da Lua orbitava o Sol. Ele tinha um núcleo metálico e lava na superfície. Por milhões de anos, esse corpo celeste vagou pelo espaço enquanto esfriava e se solidificava. Em determinado momento, chocou-se com algo e se despedaçou. Os fragmentos foram espalhados pelo Sistema Solar. Alguns pedaços seguiram rodopiando ao redor do Sol até finalmente cruzarem a órbita da Terra.
Em um dia no fim de janeiro de 1869, no início da manhã, o médico Joaquim Carlos Travassos estava num bote perto da igreja do Bonfim, em Angra dos Reis, quando viu um rastro de fumaça cortar o céu de norte para sul, sem estrondo nem clarão intenso. Algo caiu no mar. Travassos não anotou o dia exato, mas situou a queda entre 15 e 31 de janeiro.
Ele mandou dois homens mergulharem atrás do objeto. Segundo o que se conta, as pedras foram encontradas no dia seguinte, a dois metros de profundidade. Eram de um violeta escuro, com crosta brilhante. As marcas na superfície indicavam que havia um terceiro pedaço perdido do meteorito. É a mais famosa queda de angrito observada até hoje.
Um dos fragmentos recuperados por Travassos, de 446,5 g, foi entregue ao Museu Nacional. O outro ficou com o sogro do médico e desapareceu.
Em 1887, em Viena, os cientistas Ernst Ludwig e Gustav Tschermak publicaram o primeiro estudo sobre a pedra. Dela viria o nome de uma nova classe de meteoritos: os angritos.
A datação veio em 1977 e, por décadas, o meteorito foi considerado a rocha magmática mais antiga conhecida; hoje, outros angritos de resfriamento rápido são considerados ainda mais velhos. O Museu Nacional tem hoje cerca de 66 g do meteorito. Ao longo dos anos, pedaços do Angra dos Reis foram enviados para pesquisas.
Em 2013, durante o 4º Encontro Internacional de Meteoritos e Vulcões, mais de 60 cientistas coordenados por Maria Elizabeth Zucolotto mergulharam na baía, em frente ao Bonfim, atrás do terceiro fragmento, que nunca foi encontrado. Poucas dezenas de outros meteoritos da classe dos angritos já foram achados ao redor do mundo.