A tragédia do Aquidabã
Quase todo mundo em Angra já ouviu falar da explosão do encouraçado Aquidabã, em 1906, na Ponta Leste. Pouca gente conhece a história do navio e por que ele estava ali.
O NAVIO
Construído pelos estaleiros Samuda Brothers, em Londres, o Aquidabã foi incorporado à Marinha em 1885. Deslocava 5.029 toneladas, tinha quatro canhões de 9 polegadas em duas torres duplas e couraça de até 280 milímetros. A tripulação era de 303 homens.
Em 1893 tornou-se o principal navio da Revolta da Armada, movimento contra o governo de Floriano Peixoto. Sob o comando do capitão-tenente Alexandrino Faria de Alencar, atacou posições militares no Rio.
Em março de 1894, após a derrota dos revoltosos na capital, a esquadra seguiu para o Sul. Na madrugada de 16 de abril, perto da Fortaleza de Anhatomirim, em Santa Catarina, o Aquidabã foi atingido pela caça-torpedeira Gustavo Sampaio, do primeiro-tenente Altino Flávio de Miranda Corrêa. Afundou em águas rasas, foi reflutuado e reconstruído na Europa.
A TRAGÉDIA
A Marinha estudava desde 1891 a transferência do Arsenal para fora do centro do Rio. Em 1905 avançaram os planos do novo complexo naval em Jacuecanga.
Em janeiro de 1906 o Aquidabã fundeou na enseada, com os cruzadores Barroso e Tamandaré. A bordo estava a comissão encarregada de estudar a futura base naval.
Na noite de 21 de janeiro, por volta das 22h45, a explosão dos paióis destruiu o navio em poucos minutos. Morreram 112 homens, entre eles três contra-almirantes e quase toda a oficialidade; 96 sobreviveram, segundo a lista nominal do NGB. Fontes locais citam 113.
O ministro da Marinha, Júlio César de Noronha, estava no Barroso. O filho, o guarda-marinha Mário de Noronha, permanecia no Aquidabã e morreu.
A causa nunca foi esclarecida. A hipótese mais citada é a combustão espontânea da cordite, favorecida pelo calor e pelo armazenamento. O Centro de História da Marinha registra que a explosão ocorreu “por algum motivo que até hoje se desconhece”.
Os destroços permanecem na enseada de Jacuecanga, entre 10 e 18 metros. Na Ponta Leste, um obelisco homenageia os mortos, junto às sepulturas de cerca de 60 tripulantes.