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Angra antes dos europeus: os povos da baía
Angra há 14 h2 min de leitura

Angra antes dos europeus: os povos da baía

ANGRA ANTES DOS EUROPEUS: OS POVOS DA BAÍA

Muito antes da chegada dos portugueses, a região de Angra dos Reis já era habitada. Diferentes populações ocuparam esse território: construtores de sambaquis, guaianases e tamoios — nome dado aos tupinambás que viviam nessa parte do litoral no século XVI.

Os sambaquis são estruturas arqueológicas construídas por grupos pescadores-coletores com conchas, restos de peixes, ossos e outros materiais, muitas vezes com sepultamentos. Na Ilha Grande, o sambaqui Ilhote do Leste tem vestígios de cerca de três mil anos. A Ilha Grande também reúne quase 400 amoladores-polidores fixos, usados na fabricação e no acabamento de ferramentas de pedra, em pelo menos 40 sítios registrados no Iphan. São marcas de presença humana anterior aos povos de língua tupi.

Em 1587, Gabriel Soares de Sousa descreveu os guaianases como “fronteiros” dos tamoios, com quem viviam em guerra contínua. Segundo o cronista, seu território se estendia de Angra a Cananeia.

Os tamoios ocupavam trechos da costa, do Recôncavo da Guanabara a São Vicente. Um de seus principais chefes, Cunhambebe, tinha aldeia no Ariró, na baía da Ribeira, e morreu por volta de 1556. Hans Staden registrou uma aldeia chamada Mambukabe, tradicionalmente identificada com a atual Mambucaba. Gabriel Soares descreveu aldeias tamoias como “mui fortificadas com grandes cercas de madeira”.

A Confederação dos Tamoios reuniu grupos indígenas contra a escravização e o avanço colonial. Angra foi um de seus núcleos. Entre 1554 e 1567, houve conflitos e negociações, incluindo a Paz de Iperoig, em 1563. A derrota da resistência no Rio, em 1567, marcou um momento decisivo para o avanço português.

Em carta de 1565, José de Anchieta registra aldeias tamoias nas proximidades da Ilha Grande. Ipaum Guaçu, expressão tupi traduzida como “Ilha Grande”, é um topônimo preservado pela tradição local.

A presença indígena permanece viva. No Sertão do Bracuí, a aldeia Guarani Mbya de Sapukai integra a Terra Indígena Guarani do Bracuí, homologada em 4 de julho de 1995, com 2.137 hectares.

A história de Angra começou muito antes da colonização — e continua sendo escrita por seus povos originários.