Esquema de lavagem de dinheiro usou lanchonete em Angra, afirma MPRJ
O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESF/MPRJ) denunciou dez pessoas por integrar um esquema de comércio ilegal de armas, uso de informações sigilosas das forças de segurança e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, o grupo se valeu de cinco empresas para misturar recursos de origem lícita e ilícita — entre elas uma lanchonete no bairro do Frade, em Angra dos Reis.
Segundo a reportagem do GLOBO, que teve acesso à denúncia, a lanchonete movimentou R$ 35 milhões e não emitiu nenhuma nota fiscal de venda. A empresa atuava apenas como destinatária de notas emitidas por terceiros. Os investigadores apontam que o negócio continuou recebendo recursos mesmo depois que o fundador e a companheira dele deixaram o quadro societário.
De acordo com o MPRJ, as cinco empresas citadas no pedido de bloqueio de bens movimentaram juntas cerca de R$ 173,7 milhões. A investigação financeira identificou mais de R$ 250 milhões em movimentações de pessoas físicas e empresas do grupo. Um ex-assessor parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que ocupou o cargo até outubro de 2025, movimentou aproximadamente R$ 33,2 milhões entre 2019 e 2023 e tinha patrimônio estimado em quase R$ 3 milhões, sem bens declarados à Receita Federal.
A Operação Magen, deflagrada em 7 de outubro pela Polícia Federal e pelo MPRJ, cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Angra dos Reis, na Baixada Fluminense e no Amazonas. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara de Organização Criminosa da Capital, que também autorizou o sequestro de três imóveis e 31 veículos. Em Angra, a Polícia Federal apreendeu um fuzil e uma pistola.
Fonte: MPRJ / Polícia Federal / O Globo