Zé Augusto vai a Itajaí conhecer políticas para o setor pesqueiro

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Representantes de multinacional apontam gargalos no setor pesqueiro angrense.

Nesta segunda-feira, 19, o presidente da Câmara de Angra dos Reis, Zé Augusto, esteve na cidade catarinense de Itajaí, para reuniões com representantes da prefeitura local e da empresa de enlatados Gomes da Costa, que compra parte de sua matéria prima de pescadores angrenses. O objetivo foi entender melhor as dificuldades que o empresariado enfrenta em Angra dos Reis e de que forma a Câmara e os demais poderes públicos podem agir para ajudar a desenvolver este importante pilar de nossa economia.

A Pesca nas economias de Itajaí e Angra

Angra dos Reis é uma das cidades mais importantes na captura de sardinha no Brasil. Aqui são descarregadas anualmente milhares de toneladas do peixe. Segundo números da prefeitura, em 2015 foram cerca de 43 mil toneladas, no ano seguinte foram 14 mil toneladas. No primeiro semestre deste ano, a quantidade ficou abaixo da expectativa: foram 4.600 toneladas de sardinha, contra seis mil toneladas capturadas no primeiro semestre do ano passado. Estes números colocam Angra como responsável por aproximadamente 40% de toda a captura de sardinha do país.

– Itajaí e Angra dos Reis são cidades com muitas similaridades. Ambas possuem um porto e tem entre seus pilares econômicos o setor pesqueiro. A diferença é a forma com que o poder público lida com estas matrizes, em especial a pesca. A cidade catarinense, trabalhando como uma facilitadora para novos negócios, conseguiu, ao longo dos anos, atrair grandes empresas, como a Gomes da Costa (GDC), que gera dois mil empregos diretos, faz investimentos sociais no entorno de suas três unidades e é uma importante fonte de arrecadação para o município – explicou Zé Augusto.

o secretário de Desenvolvimento Econômico de Itajaí, Giovanni Testoni, detalhou como funcionam as politicas de incentivo à empresas lá. Na cidade catarinense benefícios são concedidos por um período curto, com revisões e avaliações anuais, o que permite que os investimentos aconteçam sem prejuízo aos cofres públicos. Ele explicou ainda a importância do setor pesqueiro e da Gomes da Costa para a economia itajaiense.

– Um dos pilares de nossa economia é a pesca, outro é o porto. A empregabilidade do porto é mais periférica, ela se expande na área retroportuárias, com empresas de comércio exterior; movimenta mão de obra especializada; e mercadorias de valor agregado muito grande. O impacto econômico do porto é em alguns momentos muito maior do que a pesca, mas não podemos esquecer que a pesca durante muito tempo foi a força motriz do município e continua sendo um dos pilares da nossa economia. Nós somos conhecidos mundialmente pelo setor pesqueiro – explicou.

– A GDC não possui hoje incentivos fiscais do município, ela já é uma empresa estabelecida há bastante tempo. Ela é uma parceira do município, é muito importante não só economicamente mas na questão social. Ela contribui muito com nossa comunidade, sempre presente em projetos culturais e esportivos. A empresa pretende fazer em Itajaí a maior e mais moderna fábrica de enlatados do mundo, um investimento na casa de R$1 Bilhão – detalhou o secretário, que destacou ainda que a empresa é a terceira maior fonte de ICMS do município.

Zé Augusto destacou que Angra precisa apoiar mais o setor pesqueiro.

– A história de Angra e a da pesca se confundem, a diferença é que o valor que vocẽs dão para a setor e ao pescador aqui não é dado lá (Angra dos Reis). Isso é o que eu escuto deles, que muitas vezes vão a Itajaí para descarregar um barco ou fazer reparos – relatou o presidente da Câmara.

Na prefeitura de Itajaí o presidente da Câmara de Angra também se encontrou com o prefeito local, Volnei Morastoni, com o secretário de Pesca, Valmir Vitorino e com representantes do corpo técnico da Secretaria de Fazenda.

Problemas da pesca em Angra

Na parte da tarde, Zé Augusto esteve na sede da Gomes da Costa, empresa fundada em 1954 em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, e que hoje faz parte do grupo multinacional Calvo, presente nos cinco continentes e em dezenas de países. A empresa é líder no setor de enlatados desde 2005 e o objetivo da visita foi conhecer a unidade e conversar com representantes da GDC sobre os gargalos que encontram em Angra dos Reis.

Segundo relatou um dos gerentes, a falta de um entreposto pesqueiro em nosso município afeta negativamente a produtividade dos nossos armadores. Eles afirmam ainda que a ausência de um túnel de congelamento de grande escala em Angra obriga os caminhões que abastecem a empresa a carregar o peixe junto com gelo, o que diminui a capacidade dos veículos e aumenta o custo final para o empresariado.

Outro ponto relatado foi que a ausência de um Posto da Vigilância Sanitária Federal em Angra dos Reis impede que a sardinha desembarcada no município seja exportada para determinados países.

Zé Augusto lembrou que a situação do desembarque da pesca no cais angrense realmente é preocupante e que vai lutar para que investimentos e melhorias venham para o setor.

– Em março fizemos um vídeo mostrando a situação do transbordo do lixo no Cais dos Pescadores e embora de lá para cá a situação tenha melhorado, com o uso de ecobags, o lixo continua chegando em um local próximo ao do desembarque de pescado, o que pode comprometer o produto. Precisamos achar urgentemente um novo local para esta operação – destacou o Presidente da Câmara, que está marcando reuniões no Rio de Janeiro e Brasília para tentar resgatar o projeto do Entreposto Pesqueiro para Angra dos Reis, o que ajudará a alavancar o setor.

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