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Tarrafa: Turismo náutico na berlinda

O ESTRANGULAMENTO DAS AGÊNCIAS DE TURISMO NÁUTICO

Para início de conversa, ninguém em sã consciência é contra o ordenamento do turismo, mas não podemos sufocar até a morte empresários que pagam seus impostos em dia. O decreto que regulamentou os novos preços de fluxo de ônibus em Angra dos Reis é no mínimo equivocado, uma vez que onera abusivamente as agências de turismo que trazem visitantes do Rio de Janeiro e outras cidades para curtir a baía da Ilha Grande e depois voltar para seus hotéis.

CONTEXTUALIZANDO

Pela nova regra, os ônibus, microônibus, vans e kombis de fretamento turístico que utilizam os estacionamentos pelo período de até 18 horas de duração e que não possuem clientes com reservas feitas em hotéis ou pousadas pagam as seguintes tarifas: Ônibus: R$ 3.144,46; Microônibus: R$ 1.572,23; Vans e Kombis: R$ 786,12.

TIRANDO DA CONTA

Vi nas redes sociais algumas pessoas que usavam o argumento de que a lei foi modificada em 2015 para tentar tirar o ônus da assinatura do decreto do atual governo, esquecendo (nem um pouco estranhamente :P) que o atual prefeito tem peso político para mudar qualquer lei que ele achar equivocada com certa facilidade, como vimos recentemente com o caso do Passageiro Cidadão, incorporações, etc. Logo, como os fatos comprovam, ele deve ser a favor a esta lei.

VELHO OESTE

A raiz do problema não está nas empresas que pagam seus impostos, mas naqueles “empresários” que vendem a terra sem lei, que trazem grupos enormes para nossas paragens e deixam por aqui lixo e nada mais. Estes praticam o mau turismo, em ônibus caindo aos pedaços e sem requisitos básicos de segurança. Ações contra esta turma merecem nosso apoio.

A questão é que não podemos misturar as coisas e é justamente isso que tem acontecido, quando se taxa um ônibus legalizado em mais de R$3400, isso significa um aumento de custo de aproximadamente R$70 por passageiro, o que acaba inviabilizando economicamente a atividade das agências, refletindo diretamente nas empresas de saveiros, em restaurantes, serviços terceirizados, em suma, criando demissões em todo um ecossistema que garante centenas de empregos diretos e indiretos.

CONVERSANDO A GENTE SE ENTENDE

Imagino eu que os gestores não querem um quadro como o citado acima, eles querem um turismo vibrante e autossustentável, que se desenvolva e gere cada vez mais empregos. A presidência da TurisAngra, que inicialmente tinha tomado uma posição elogiável, escutando o setor e proibindo o arrendamento de embarcações, deu uma escorregada com a edição deste decreto, mas após reclamações e protesto do setor, decidiu ouvir a categoria.

PRUDÊNCIA E CALDO DE GALINHA

O ponto da discórdia é uma frase no final do decreto (e da lei), que mantém a tal cobrança abusiva para ônibus que fiquem menos de 18 horas no município, priorizando o setor de hospedagens e onerando as agências e restaurante que recebem estes grupos. Se o bom senso prevalecer, coisa que eu acredito que deva, faz-se uma alteração neste item do decreto e teremos um turismo mais sustentável, tanto no ponto de vista econômico quanto ecológico e todo mundo fica feliz.

UM GRANDE E GORDO “MAS”…

Não adianta ter lei se não tem fiscalização. Enquanto flexboats e taxiboats saírem a torto e a direito do cais de Conceição de Jacareí e outros pontos em direção à Ilha Grande, Cataguás e Gipóia, e não se fizer um controle de acesso decente nos nossos principais destinos, pode-se cobrar qualquer valor, porque o ilegal não paga mesmo.

POR FALAR EM BADERNA

Depois de 20 e tantos anos, a rua Coronel Carvalho renasceu, com novos bares, revitalizando a noite do Centro de Angra, mas a falta de ordenamento e segurança tem causado transtornos à moradores e a quem quer tomar um choppinho no final da noite. Para um turismo de qualidade também é necessário que turistas e moradores possam ter opções de lazer. Fica a dica então.

PARA FINALIZAR…

Onde nada pode, tudo acontece.

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