Últimas noticias e informações sobre Angra dos Reis (Continente e Ilha Grande), Mangaratiba e Paraty.

Protestos e vandalismo marcam passagem da tocha em Angra

Polícia usou aparatos de dispersão para conter tumultos na Praia do Anil. Na Ilha Grande, manifestação foi contra a PPP.

Tudo que se esperava era festa na celebração da passagem de um dos maiores símbolos do esporte mundial por Angra dos Reis, a tocha olímpica Rio 2016, nesta quarta-feira, dia 27. Atletas, crianças e famílias foram para as ruas de diversos bairros para receber de braços abertos a chama, mas protestos e tumultos tomaram as ruas do município, atrapalhando o sentimento de paz e harmonia que este símbolo invoca e colocando o município em manchetes negativas por todo o país.

Os manifestantes tinham pautas variadas, como melhorias na educação, saúde, a instalação de uma UTI pediátrica, o fim da corrupção e alguns grupos se colocavam contrários a uma proposta da Parceria Público-Privada para a Ilha Grande. Enquanto alguns protestavam de forma pacífica, vândalos, já pela manhã, rasgaram faixas em vários pontos da cidade, outros, na hora do evento, partiram para a violência, ameaçaram os condutores, jogando pedras e causando confusão, o que fez com que o trajeto fosse alterado pelos órgãos de segurança e frustasse quem foi às ruas pelo amor ao esporte.

O professor e ciclista Alberto da Cruz, em seu relato, resumiu o sentimento de quem foi prestigiar a tocha olímpica e se deparou com uma praça de guerra:

Uma estúpida barbárie, assim posso resumir os fatos que ocorreram na passagem da tocha olímpica em Angra dos Reis. Cenas lamentáveis mancharam ainda mais o nome já desgastado de nossa cidade. É difícil para as pessoas separarem os Jogos Olímpicos, um evento mundial, da corrupção em nosso país. (…) Estávamos à espera da chegada do símbolo olímpico, na Japuíba, para seguirmos de bicicleta o comboio, representando os grupos de ciclismo de Angra. A população lotava as ruas, crianças corriam pelas calçadas, fizeram uma réplica da tocha e brincavam felizes. O clima era de festa, apesar das manifestações que ocorriam na Praia do Anil e no ponto inicial do percurso.

Rapidamente a euforia deu lugar ao medo. Dezenas de pessoas com rosto tampado, portando pedaços de paus e pedras começaram a ameaçar o evento. (…)Não satisfeitos com a estúpida ideia de apagar a Tocha Olímpica, voltaram-se também contra a população que assistia ao evento. Tumulto formado, as crianças que antes brincavam, corriam aos prantos, tentando fugir dos bandidos, que davam tiros. Uma criança de não mais que 12 anos apontava um revólver para as pessoas e disparava contra todos, uma menina batia nas pessoas com uma vara de bambu, enquanto as pessoas corriam em desespero. Alguns conseguiram se refugiar na igreja ao lado da praça, mas não respeitaram nem mesmo crianças de colo, lançando bombas nas pessoas – publicou em seu Facebook.

Bombas de efeito moral foram lançadas para dispersar manifestantes.
Bombas de efeito moral foram lançadas para dispersar manifestantes.

Por conta de um protesto logo no início do percurso, o trajeto, que começaria com os condutores da chama olímpica na rua Japoranga, na Japuíba, foi feito dentro dos ônibus, com a tocha apagada até o Texaco, no Centro, onde de fato o revezamento começou. A parada no convento São Bernardino também não ocorreu, assim como o trajeto que seria feito pelo mar, mas neste caso, por conta das condições climáticas. O cortejo seguiu até a Praia do Anil, onde shows com bandas locais já estavam acontecendo, mas foram interrompidos por grupos mascarados, que causaram uma grande confusão, impedindo que a pira olímpica fosse acesa. A polícia revidou, usando bombas de efeito moral, spray de pimenta, balas de borracha e gás lacrimogênio.

Por conta do ocorrido, a chama passou a noite em um hotel, onde a organização do Tour da Tocha ficou hospedada. Ao contrário do que foi divulgado, a chama olímpica não chegou a ser apagada pelos manifestantes.

Segundo dados da Secretaria de Saúde de Angra dos Reis, duas crianças deram entrada no Hospital Geral da Japuíba. Um jovem com irritação nos olhos devido ao spray de pimenta foi atendido e liberado em seguida. Uma menina de nove anos, com estilhaços e queimaduras na perna, foi encaminhada ao centro cirúrgico para tratamento, medicada e recebeu alta em seguida.

PROTESTO NA ILHA GRANDE

Nesta quinta-feira, 29, a tocha olímpica seguiu para a Ilha Grande, onde também enfrentou protestos, desta vez pacíficos. Com cartazes e faixas, a população se colocou contra a proposta de uma Parceira Público-Privada (PPP) para a Ilha Grande, ventilada pela Secretaria de Estado do Ambiente. O cartunista Ziraldo foi um dos condutores da chama no local.

Em seu Facebook, o atleta e professor Sidney Calderoni comemorou a receptividade dos moradores do Abraão, que mesmo protestando respeitaram a comitiva.

Um menino humilde que virou atleta, professor e que realizou um sonho, e passando a tocha pro escritor Ziraldo!! Parabéns ao povo do Abraão pelo carinho e respeito! – postou Sidney.

PREFEITURA LAMENTA O OCORRIDO

A prefeita Conceição Rabha e o presidente da TurisAngra, Klauber Valente, que coordenou o trabalho desenvolvido pelo município para a passagem da tocha em Angra dos Reis, lamentaram o ocorrido.

– Lamento que tantas pessoas que apenas queriam assistir ao evento e participar deste momento único no país, tenham sido impedidas por esta minoria, cujo objetivo não era protestar e sim alcançar notoriedade e propaganda. Estamos tristes, com certeza abatidos. Não era essa a imagem que queríamos projetar ao mundo durante o evento. Há mais de um ano estávamos nestes preparativos e envolvendo a população e grupos culturais e esportivos. Todos responderam positivamente. Era para ser uma festa linda. No entanto, poucas pessoas, que pareciam desconhecer limites e qualquer bom senso, estragaram quase tudo. Angra dos Reis não deveria ser conhecida pelos atos de vândalos como os de ontem. Não há justificativa nenhuma para tamanha demonstração de desamor à cidade, por mais dificuldades que existam. É lamentável – disse Conceição.

A Fundação de Turismo de Angra dos Reis (TurisAngra) pede desculpas à população da cidade e aos visitantes pelos incidentes tristes e lamentáveis registrados durante a passagem do revezamento da chama olímpica pela cidade. Desculpamo-nos, em especial, com as famílias angrenses, crianças e idosos que tiveram seu direito de assistir ao evento prejudicado pela ação de poucas pessoas. (…) A inclusão de Angra dos Reis na rota do revezamento não pretendia, em nenhum momento, desmerecer ou ocultar os desafios que o município e o estado do Rio enfrentam. Ao contrário, foi concebida como oportunidade para valorização da cidade como destino turístico e em potencial para desenvolvimento – afirmou Valente

A maior parte das despesas relacionadas ao revezamento da tocha olímpica em Angra foi custeada pelos patrocinadores do evento: Bradesco, Nissan e Coca-Cola. Em âmbito municipal, foram investidos, com recursos da Fundação de Turismo, cerca de R$ 45 mil em estruturas de sinalização e trânsito, material de divulgação e apoio, incluindo equipamentos de som, iluminação e grades de metal. Não foi usado nenhum recurso da administração direta da Prefeitura de Angra, a não ser com horas extras dos operadores de Trânsito envolvidos na operação.

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

Praticamente todos os grandes jornais de grande circulação do país deram destaque ao que aconteceu em Angra dos Reis. Diário do Vale, Jornal do Brasil, R7, UOL, Exame, Estadão, Extra, G1, O Globo, Agência Brasil, Catraca Livre, Folha de Vitória, Blasting News, CBN, entre outros, publicaram reportagens relatando os protestos no município. No exterior, o jornal Washington Post deu destaque ao assunto.

Segundo informações do R7, o Comitê Olímpico descarta alterações no revezamento após o ocorrido em Angra. A organização classificou as decisões tomadas diante do ocorrido como “corretas” e diz que dará sequência ao planejamento inicial.

Não é preocupante. A gente viu como é uma manifestação pesada, tomou as decisões corretas, e a vida segue. Se a gente sentir que vai ter um apetite para novas manifestações, a gente vai repensar –  afirmou Mario Andrada, diretor de comunicação do Comitê Rio-2016.

No Youtube, alguns vídeos mostram como foram os protestos.

 

Comentários