Manifesto Angra pede Paz

Nesta quinta-feira, 9h30, na Praça do Carmo, Centro de Angra dos Reis, acontece uma passeata do Movimento Angra Pede Paz. Confira abaixo o manifesto do grupo.

É triste constatar que nos últimos anos Angra dos Reis deixou de ser conhecida somente por suas belezas naturais e povo hospitaleiro e entrou também para as tristes estatísticas da violência no Estado do Rio de Janeiro. A insegurança que percebemos no dia a dia em nossas comunidades e no comércio está também nos índices que apontam a nossa Angra entre os municípios mais violentos do interior do Estado. Estamos sofrendo há vários anos com a escalada do crime na cidade e acreditamos que é hora de virar este jogo.

A violência não tem uma causa só, como se sabe, nem apenas um responsável. Ao longo do tempo uma sucessão de situações locais e sobretudo no Estado do Rio causaram o estado de coisas atual. Não é momento de achar culpas e nem culpados. O momento agora é de buscar as soluções. Elas existem. Mas dependem do engajamento e da conscientização de todos. De quem está no Poder Público e também de quem não está. Temos de ser todos responsáveis pela construção de uma cidade de Paz. Das autoridades pedimos para que cumpram com suas responsabilidades legais, atuando firmemente no enfrentamento da criminalidade para que homens e mulheres de bem possam trabalhar e viver em segurança em nossa cidade. Registramos que, ao longo dos anos, muitas reivindicações já foram encaminhadas às autoridades seja pela sociedade, ou pela atuação da prefeitura angrense e da Câmara de vereadores local. Na maioria dos casos, porém, esses pedidos não tiveram respostas efetivas.

Cabe lembrar que no município de Angra há duas usinas nucleares em funcionamento e uma terceira em construção. O crescimento da violência traz risco às ações do planejamento de resposta a emergências na central nuclear. As próprias instalações das usinas em Itaorna já foram alvo de ataques que resultaram até em vítimas fatais. As vilas de Praia Brava e Mambucaba também sofreram ações de grupos armados, com uso de explosivos. A presença de grupos de criminosos fortemente armados em bairros há poucos quilômetros das usinas compromete a manutenção do sistema de alerta e sirenes e as eventuais construção de abrigos e trafegabilidade da rodovia Rio-Santos numa situação real de emergência. Por certo que a cidade pode até considerar uma notificação aos órgãos nacionais e internacionais de controle caso nada seja feito para mudar a situação de insegurança dos dias de hoje, não descartado inclusive um pedido de suspensão da operação das usinas até que algo seja feito.

Em nome da sociedade angrense, esperamos que o governo municipal de Angra, que já demonstra seu interesse em contribuir com as soluções, prossiga investindo na:

  •  Instalação de câmeras de monitoramento em pontos estratégicos da cidade, ligadas a um centro de comando em que possam atuar em conjunto, policiais militares, policiais civis, Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil;
  • Ampliação dos investimentos em iluminação pública, revitalização e permanente utilização de espaços públicos de esporte, lazer e cultura sobretudo nos morros e na periferia. Também faz-se de grande relevância a implantação de atividades e projetos esportivos/culturais nessas localidades, coordenadas seja por profissionais da Prefeitura ou grupos da sociedade;
  • Ampliação das atividades e atendimento ofertados pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras);
  • Criação da Guarda Municipal, com efetivo apto e preparado para atuar na vigilância de bens públicos e segurança da população em geral, com ênfase em rondas escolares;
  • Buscar a integração de municípios vizinhos visando a criação do Consórcio Intermunicipal de Segurança com Cidadania do Sul Fluminense;
  • Ampliação da contratação de policiais por meio do programa Proeis e na
  • Criação do Conselho Comunitário de Segurança Pública, com assento garantido para as entidades representativas da sociedade e participação dos organismos de segurança.

Do governo do Estado do Rio de Janeiro, cobramos:

  • Efetiva cobrança ao Poder Judiciário para garantir a implantação efetiva da Segunda Vara Criminal, que já tem recursos aprovados no orçamento para tal;
  • Imediata reposição de policiais e aumento do efetivo a serviço do 33º Batalhão da PM, que responde por uma das maiores áreas continuas de policiamento ostensivo no Estado;
  • Implantação de postos fixos de policiamento na Grande Japuíba e Monsuaba;
  • Aumento de efetivo e estrutura de funcionamento e investigação na 166ª DP;
  • Início imediato das atividades do polo da Faetec/CVT, na Japuíba;
  • Compra de mais veículos para as polícias militar e civil, em especial para o setor de polícia técnica e Instituto Médico Legal.

Por fim, mas não menos importante, esperamos do Governo Federal que zele pela segurança da cidade em suas áreas de atuação, sobretudo em:

  • Investimento na Polícia Federal para que atue no combate ao transporte de armas e drogas em vias federais e em áreas marítimas;
  • Ampliação de efetivo nos postos da Polícia Rodoviária Federal em Jacuecanga e Mambucaba;
  • Investimento na Capitania dos Portos para que tenha condições operacionais de exercer o patrulhamento na área de costeira e mar da Baía da Ilha Grande por onde é sabido haver também transporte de ilícitos;
  • Promoção de blitz e ações inteligentes de monitoramento de atividades criminosas com passagem pela rodovia federal BR-101, ligação entre os Estado de São Paulo e Rio de Janeiro, atuando nas fronteiras com vigilância e combate à criminalidade e
  • Apoio federal para programas locais de combate aos entorpecentes, além de ações educacionais que visem conscientizar os jovens sobre os malefícios das drogas.

A ações pela Paz devem ser compromisso de todos. Nós apoiamos.

Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Angra dos Reis
Câmara de Dirigentes Lojistas de Angra dos Reis”

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