Luiz Sérgio vota contra Intervenção Federal

Para o parlamentar, decisão foi tomada na base do improviso.

O deputado Luiz Sérgio foi um dos parlamentares Federais do Rio de Janeiro que votou contra a Intervenção Federal na área de segurança, proposta pelo presidente Michel Temer no Estado do Rio de Janeiro. O decreto começou a valer na última sexta-feira e foi aprovado na Câmara na madrugada desta terça-feira, 20.Segundo o parlamentar, que havia usado a tribuna para pedir ajuda do Governo Federal na área de segurança pública, a Intervenção decretada por Temer na última sexta-feira, 16, foi decidida na base do improviso e não tem previsão de custos, recursos a serem usados, etc. Para Luiz Sérgio, “a ajuda federal é necessária e bem-vinda, mas a intervenção criada pelos marqueteiros de Temer tem o potencial de nos levar a um período ainda mais sombrio do que o que já estamos vivendo. Por isso votei e reafirmo meu voto contra essa intervenção“.

Outros deputados fluminenses também votaram contra o decreto, são eles: Alessandro Molon (Rede), Benedita da Silva (PT), Celso Pansera (PMDB), Chico Alencar (PSOL), Glauber Braga (PSOL), Jandira Feghali (PC do B), Jean Wyllys (PSOL), e Wadih Damous (PT).

A proposta de Temer contou com 340 votos favoráveis, 72 contrários e uma abstenção na Câmara dos Deputados. O Senado também aprovou a medida, por 55 votos a 13 (1 abstenção). A medida agora será publicada no Diário Oficial da União e estabelece que a intervenção durará até 31 de dezembro deste ano.

Enquanto vigorar a Intervenção, o general de Exército Walter Souza Braga Netto, do Comando Militar do Leste, será o interventor no estado e terá o comando da Secretaria de Segurança Pública, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e do sistema carcerário fluminense. Ele está subordinado ao presidente da República e não está sujeito a regras estaduais que entrem em conflito com o objetivo da intervenção.

Confira a nota:

Sobre meu voto em relação ao decreto de intervenção militar no estado do Rio:

1 – É fato que o clima de insegurança no Rio de Janeiro atingiu níveis alarmantes, incluindo muitas cidades do interior do estado, entre elas Angra dos Reis. Diante disso, cobrei insistentemente do Governo federal o envio de efetivos da Força Nacional de Segurança, recursos materiais e compartilhamento de informações de inteligência no sentido de COLABORAR com a solução do problema.

2 – Essa colaboração é algo completamente diferente de uma intervenção decidida na base do improviso, sem o mínimo de planejamento prévio. Todos nós, inclusive o general encarregado da operação, fomos pegos de surpresa. Ninguém sabe quanto vai custar essa operação, nem de onde sairá o dinheiro. Quantos homens serão empregados? Quais são os objetivos concretos? Não há resposta para essas perguntas básicas, o que reforça a tese de que na verdade estamos diante de mera peça de propaganda de um governo ilegítimo e impopular. É uma irresponsabilidade expor as Forças Armadas brasileiras a esse tipo de situação para desviar o foco e tentar minimizar a derrota da pauta golpista, em especial no que se refere à fracassada Reforma da Previdência.

3 – Há forte preocupação com os rumos que esse tipo de intervenção pode tomar. Sabemos que as Forças Armadas existem para defender o País e suas fronteiras. Seu treinamento não é direcionado ao combate do crime em áreas urbanas. Os próprios comandantes dos efetivos militares afirmam isso. Experiências recentes nesse sentido, notadamente na Capital, não deram resultado concreto e duradouro que se esperava. Ficaram mais de um ano no Complexo da Maré e qual o resultado de fato? Nenhum. Por que insistir e aprofundar o erro? No combate ao crime a inteligência e o planejamento deveriam ser as principais armas.

4 – Volto a dizer: a ajuda federal é necessária e bem-vinda, mas a intervenção criada pelos marqueteiros de Temer tem o potencial de nos levar a um período ainda mais sombrio do que o que já estamos vivendo. Por isso votei e reafirmo meu voto contra essa intervenção.

Luiz Sérgio
Deputado Federal
PT-RJ

 

 

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