Livro “A farsa da representação política” será lançado em Angra

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O autor, Milton Meira, é angrense, cursou mestrado e doutorado em filosofia política e é professor de filosofia da Universidade de São Paulo (USP) desde 1975.

Lançamento do livro “A Farsa da Representação Política”, do filósofo Milton Meira, será realizado na Casa da Cultura de Angra nesta quinta-feira, 1º, às 19h. Durante o evento haverá um debate sobre representação, política atual brasileira e sobre novas ações que promovam o debate sobre questões políticas.

O livro é uma coletânea de artigos sobre o filósofo genebrino Jean-Jacques Rousseau, autor, dentre outros livros, do Contrato Social. Segundo Rousseau, os representantes do povo não o representam, eles representam a si mesmos. Por isso mesmo, o povo inglês, que se encantou com a eleição dos membros do parlamento, pensam que são livres só porque escolhem os seus deputados. O filósofo afirma que, após a eleição dos deputados, tudo permanece como antes. O povo inglês, lá no século XVIII, segundo ele, era escravo do parlamento.

Milton Meira é Professor Titular de Ética e Filosofia Política na USP
Milton Meira é Professor Titular de Ética e Filosofia Política na USP

Nossa análise desse capítulo do livro “O Contrato Social” é um aprofundamento da crítica de Rousseau às democracias representativas contemporâneas. Nosso capítulo intitula-se “A representação política como farsa” e que dá o motivo para o título do livro “A farsa da representação política”. O que indicamos em nossa análise é que a democracia representativa, o modelo escolhido pelo mundo ocidental como o máximo a que podemos chegar em matéria de democracia, é, na verdade, o seu avesso, ou seja, não vivemos numa democracia, mas numa aristocracia que recebe o nome de democracia representativa – provoca o autor, que dispara “Nas democracias representativas são os representantes que decidem no lugar do povo”.

Para Milton Meira, o esgotamento do sistema da democracia representativa provoca uma aversão generalizada à política em geral e evidentemente aos políticos chamados “profissionais da política”. Ele destaca que a democracia representativa, em vez de constituir-se como uma escola para a cidadania, espanta os cidadãos da vida política, esvazia a política, de tal modo que a grande maioria da população, não só no Brasil, mas em todos os países que adotaram esse regime, não quer saber de política.