Fernando Jordão aparece em inquérito sobre compra de votos para a eleição de Eduardo Cunha

Fernando Jordão e Eduardo Cunha
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O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, determinou na última semana a abertura de inquérito para apurar se o ex-deputado federal Eduardo Cunha comprou votos de outros deputados em 2014 para se eleger, em 2015, presidente da Câmara dos Deputados. Segundo o G1, as informações sobre possíveis irregularidades nesta eleição foram reveladas na delação premiada do ex-executivo da J&F Ricardo Saud. Entre os 18 políticos arrolados no processo está o atual prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão, que na época era Deputado Federal.

Já a revista Exame destaca que a suspeita é que Joesley Batista, também ex-executivo do grupo, tenha incumbido Ricardo Saud de persuadir congressistas de que a eleição de Cunha seria o melhor para fazer um contraponto à então presidente Dilma Rousseff em seu segundo mandato. Para tanto, segundo a delação, Joesley autorizou repasses de cerca de R$30 milhões.

O esquema, segundo a delação de Saud, teria sido viabilizado por “doações oficiais, entregas em espécie e emissão de notas fiscais sem lastro”.

Eleito presidente da Câmara no início de 2015, Cunha foi um dos principais artífices do impeachment de Dilma, ao autorizar a abertura do pedido de impedimento em dezembro daquele ano.

Cunha renunciou ao comando da Câmara, mas posteriormente teve o mandato cassado por denúncias de corrupção por investigações da operação Lava Jato. Depois ele foi preso preventivamente e condenado pela operação.

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA COM RECURSOS DA JBS

A proximidade entre Jordão e Cunha foi levada aos holofotes em 2017, quando advogados da JBS revelaram que, por meio de uma intervenção de Eduardo Cunha, o atual prefeito de Angra recebeu R$500 mil, via doações oficiais da empresa, para sua campanha de Deputado em 2014. Outros políticos também teriam recebido recursos por intermédio do ex-presidente da Câmara.

O nome de Jordão também aparece na delação do Doleiro Lúcio Funaro, quando o delator cita os candidatos que Cunha queria ajudar a eleger para a sua “bancada” em 2014. Os outros nomes são: Marcelo Castro, Lúcio Vieira Lima, José Priante, Manoel Júnior, Soraya Santos e Carlos Bezerra. Também estão na lista, o vice-governador de Minas Gerias, Antônio Andrade e o ex-deputado Candido Vacarezza.

Antes disso alguns fatos já chamaram atenção na relação entre Jordão e Cunha: O primeiro foi quando Eduardo Cunha convidou Fernando Jordão para ser sua testemunha de defesa na tentativa de desmentir acusações do lobista Júlio Camargo, que acusou o ex-presidente da Câmara de receber US$ 5 milhões de propina.

Posteriormente, Jordão esteve entre os parlamentares ausentes na sessão que cassou Cunha, condenado pela Lava Jato. Na época, aliados do ex-presidente da Câmara defendiam o esvaziamento da sessão para adiar, para depois das eleições municipais, o julgamento e diminuir a pressão das urnas.

Na ocasião o Prefeito de Angra informou, por meio de nota, que “na segunda-feira, quando Cunha foi cassado, participava de uma passeata pelas ruas da cidade. Jordão alega que o compromisso foi marcado antes de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), definir o dia 12 para a análise do parecer do Conselho de Ética. Ainda segundo a equipe do então candidato a prefeito de Angra dos Reis, a “dimensão” do evento não possibilitou a alteração na data. Depois da passeata, Jordão seguiu para um minicomício”.