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Com novo presidente, Eletronuclear suspende contratos em Angra 3

Nesta semana a imprensa foi inundada por uma série de informações sobre a Eletronuclear e a usina de Angra 3, cujas obras estão sendo investigadas por suspeita de irregularidades. Notícias sobre a nova presidência na estatal, revisão de tarifas, suspensão de contratos e um novo prazo para a entrega das obras preocuparam quem depende do prosseguimento da construção do empreendimento.

Nova presidência na Eletronuclear

Pedro Figueredo
Pedro Figueredo

Assumiu a presidência da Eletronuclear nesta semana o engenheiro eletricista Pedro José Diniz de Figueiredo, que foi eleito pelo Conselho de Administração da estatal. Com 70 anos, e formado pela UFRJ, ele foi Diretor de Operação desde a fundação da Eletronuclear, em 1997. Atualmente ocupa, também, a posição de Chairman no Centro da World Association of Nuclear Operators (WANO), em Paris – unidade que congrega as usinas europeias e argentinas.

A necessidade da substituição da presidência da empresa se deu após a prisão de Othon Luiz Pinheiro da Silva, durante a 16ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Radioatividade”, que  investiga a formação de cartel e o prévio ajustamento de licitações nas obras de Angra 3.

Suspensão de contratos

A Eletronuclear suspendeu nesta semana todos os contratos relativos às obras da usina nuclear de Angra 3 pelo prazo de 90 dias. A informação foi passada ao jornal O Globo, nesta terça-feira, 29, pelo novo presidente da estatal, Pedro Figueiredo, que explicou que a suspensão dos contratos será acompanhada de uma investigação minuciosa que será feita por empresa de consultoria que ainda será contratada.

Figueredo informou que os contratos também já passam por uma investigação interna, que é feita pela empresa de auditoria Hogan Lovells: Global Lawyers, já contratada pela holdind Eletrobras. As obras de Angra 3 são investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava-Jato.

Com a nova paralisação nas obras, a entrada em operação comercial de Angra 3 vai atrasar em um ano. Segundo Pedro Figueiredo, o objetivo agora é tentar concluir as obras no fim de 2018 e iniciar sua operação comercial em 2019.

A decisão de suspender os contratos das obras da usina foi tomada também durante reunião do Conselho de Administração da Eletronuclear. A medida implicará na interrupção temporária dos acordos com a construtora Andrade Gutierrez, responsável pela execução das obras civis. Procurada, a construtora informou que não comentaria o assunto.

Eletrobrás pede mais tempo e revisão de tarifa em Angra 3

Segundo informações da agência Reuters, o Ministério de Minas e Energia deverá analisar pleitos da Eletronuclear por mais tempo para a conclusão das obras da usina nuclear de Angra 3, bem como por uma ampliação do prazo para a venda de energia pelo empreendimento e por uma elevação de cerca de 80% na tarifa a ser cobrada.

A Eletronuclear pede “reequilíbrio econômico-financeiro” do empreendimento, e recorreu primeiramente à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que decidiu nesta terça-feira, em reunião de diretoria, passar a decisão para o governo, conforme havia sido antecipado pela Reuters.

A usina de Angra 3 deveria iniciar a geração de energia, por contrato, em janeiro de 2016, mas solicita uma revisão desse prazo para dezembro de 2018. Mesmo essa data é colocada em dúvida pela Aneel, que em nota técnica disse que o cronograma apresentado “é infactível, frente às dificuldades apresentadas, principalmente quanto à obtenção do financiamento”.

A Eletronuclear também quer elevar a tarifa da energia da usina para 267,95 reais por megawatt-hora, ante os 148,65 reais estabelecidos em contrato, além de pleitear um período de concessão de 40 anos para o empreendimento, ante os 35 anos iniciais.

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