Atraso em obras do Hospital da Japuíba gera indignação

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O atraso nas obras de construção do Hospital da Japuíba, em Angra dos Reis, tem gerado reclamações dos moradores angrenses. A previsão inicial da prefeitura era de que até novembro as instalações fossem entregues. Porém, a data real do término da obra ainda está muito longe disso.

– Tivemos alguns contratempos, mas a obra está andando. Se tudo correr bem, andar conforme o esperado, o hospital deverá ficar pronto em fevereiro ou março do próximo ano – afirmou o prefeito Tuca Jordão (PMDB).

Desde o começo do ano, as verbas para a construção da unidade estavam liberadas. Porém, as obras só foram iniciadas há dois meses, devido à demora na contratação da empresa responsável pela obra. O atraso na construção da unidade gerou muita indignação entre os moradores.

– Desde que fizeram o anúncio da construção do hospital ficamos ansiosos, esperando logo que ficasse pronto para melhorar o atendimento da saúde no nosso município. As autoridades precisam olhar com mais carinho para esse setor, pois pelo que estamos vendo continuam nem dando importância, pois nunca vi um hospital demorar tanto para ficar pronto, sendo que as verbas já haviam sido liberadas – disse o morador Antônio Gomes.

Em fevereiro desse ano, a prefeitura municipal assinou um convênio com a empresa Eletronuclear, através do qual a estatal repassou R$ 31,7 milhões, para serem utilizados nas obras e na compra do aparelhamento do Hospital da Japuíba. O convênio para a unidade foi incluído na contrapartida de R$ 317 milhões dada a Angra dos Reis pela Eletronuclear devido à construção da Usina Angra 3. O acordo foi firmado em junho do ano passado. Esses recursos serão investidos em projetos no município ao longo da construção da usina, planejada para seis anos. Segundo o prefeito Tuca Jordão, a compra dos aparelhos estipulada no convênio já foi quase toda realizada.

– Estamos finalizando as compras de todo o equipamento necessário. Até o final das obras, tudo já estará encaminhado – afirmou o prefeito.

Após a assinatura do convênio com a Eletronuclear, a prefeitura municipal liberou mais de R$ 6 milhões para o fornecimento e instalação de ar condicionado e ventilação mecânica do hospital. E para a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto da unidade hospitalar foram liberados mais de R$ 2 milhões. Por isso, a demora na entrega desse beneficio para a região tem intrigado os moradores.

Hospital vai atender a quatro cidades

Com a intenção de melhorar a saúde na região Costa Verde, a nova unidade hospitalar servirá para o atendimento de emergência, em procedimentos de maior complexidade. O hospital será construído com 169 leitos, sendo 18 de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). A unidade irá atender à população de Angra e das cidades que fazem parte do Consórcio Intermunicipal de Saúde: Mangaratiba, Paraty e Rio Claro.

– Todas as cidades da Costa Verde só têm a ganhar com a construção de um novo hospital, e essa é a nossa meta. Sempre que pudermos estaremos melhorando a saúde do nosso estado – afirmou o secretário estadual de Saúde, Sérgio Cortês.

O objetivo principal da construção de uma nova unidade hospitalar no município é atender toda a demanda exigida da região Costa Verde. Atualmente, a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital da Praia Brava são as unidades responsáveis pelo atendimento na localidade. Porém, o serviço é motivo de insatisfação há muitos anos.

– As pessoas que passam mal em Angra dos Reis precisam pedir a Deus para não morrerem. Na Santa Casa o atendimento é de péssima qualidade, na Praia Brava é muito longe, e na UPA até que tem atendimento mas, como todos optam por lá, a unidade fica tão lotada que o paciente acaba ficando por horas e horas. Muitas vezes o poder público só enxerga os turistas que visitam a nossa cidade, e não percebem o sofrimento que passamos, principalmente no setor de saúde – ressaltou a moradora Taiane Amorim.

Para amenizar os atendimentos de ambos os hospitais, o governo estadual instalou há dois meses uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), também localizada no bairro Japuíba. Com 1.300 m² de área construída, a unidade tem capacidade para realizar até 500 atendimentos por dia. Assim como as outras 33 unidades em todo o estado, a UPA de Angra possui consultórios de pediatria, clínica médica e odontológica, além de laboratório para realização de exames e salas de Raio X, sutura, medicação e nebulização. Porém, a UPA tem como função principal receber e estabilizar pacientes em estado grave até serem removidos para um hospital por uma ambulância do município.

– Nosso foco e nossa missão são os pacientes de pequena a média complexidade. Até o momento não atendemos casos de grande emergência, porém temos estrutura para receber pacientes desse porte – e estabilizá-lo – até que possa ser transferido a um hospital municipal – explicou o coordenador da UPA, Edson Miranda.

Com a péssima qualidade de ambos os hospitais municipais, os moradores da Costa Verde ficam ainda mais agoniados a espera da conclusão das obras do Hospital da Japuíba.

– Os políticos do nosso país só querem dinheiro no bolso, e não se preocupam se há seres humanos passando fome, dormindo na rua e enfrentando filas e mais filas para serem atendidos em um hospital. Até quando vamos ter que cobrar pelos nossos direitos que deveriam ser cumpridos sem a nossa solicitação? Angra tem belezas incríveis, recebe milhares de turistas, enquanto os moradores estão morrendo na frente dos hospitais, será que ninguém enxerga isso? Merecemos mais respeito das autoridades, só queremos ser tratados com dignidade – disse a moradora Égna Medeiros.

Fonte: Diário do Vale