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Após morte, Prefeitura de Paraty irá definir como serão desfiles de segunda e terça-feira

Após a morte a tiros de uma pessoa durante a passagem de um bloco na madrugada de domingo, foi suspensa parte dos desfiles de blocos em Paraty. Apenas duas apresentações aconteceram normalmente: a tradicional Banda Santa Cecília e o bloco Assombrosos do Morro. A prefeitura realizou uma reunião com o comando da Polícia Militar para definir como serão os desfiles marcados para esta segunda e para terça-feira, mas os resultados dessa conversa ainda não foram divulgados.
“Foi decidido por unanimidade que a programação noturna, que costuma se estender até mais tarde, será suspensa nesse domingo, como um ato de repúdio à violência e em prol da paz. Serão mantidos apenas o som mecânico na tenda da Matriz e o tradicional cortejo dos Assombrosos do Morro com a banda Santa Cecília, que se encerra mais cedo”, disse nota divulgada pela prefeitura.
Um rapaz de 22 anos foi atingido por cinco tiros de pistola disparados por três homens que seriam traficantes da Ilha das Cobras, durante o tradicional desfile de blocos na Praça da Matriz, no Centro Histórico de Paraty, na madrugada de domingo. Emerson Martins de Jesus foi levado para o hospital, mas não resistiu e morreu ainda na manhã de domingo. No tiroteio, que ocorreu por volta de 3h, durante o desfile do bloco Paraty do Amanhã, outras nove pessoas ficaram feridas. Segundo o delegado Bruno Gilaberte Freitas Savignon, titular da 167ª DP (Paraty), a polícia investiga um suposto ajuste de contas entre pessoas de duas comunidades controladas por facções criminosas rivais da região.

REAÇÃO DE AMIGOS

Os amigos da vítima, também armados, teriam reagido, provocando tumulto e pânico entre foliões. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Municipal São Pedro de Alcântara, no Centro Histórico. De acordo com a unidade de saúde, quatro das nove vítimas foram atingidas de raspão ou por estilhaços e já tiveram alta. Entre elas, estava Larissa da Rocha Chaves, filha de um PM da cidade, atingida por um tiro na altura das nádegas, que atravessou a região da pélvis. Ela foi levada para o centro cirúrgico, mas não há informações sobre seu estado de saúde.
O hospital recebeu ainda Fernando Alves Silveira, com um tiro no braço; Renata dos Santos Oliveira; Flávia de Moraes; Roberto dos Santos Pacheco, que foi atingido no abdômen e transferido para o hospital de Japuíba; Rodrigo Eiras; Thiago Barbosa e Elen de Oliveira, que foram atingidos de raspão, atendidos e liberados em seguida.
O governador Luiz Fernando Pezão conversou com o prefeito Carlos José Gama Miranda, o Casé (PT), e prometeu reforçar a segurança do município. Segundo o chefe da Comunicação da prefeitura, Paulo Roberto Abreu, o crime aconteceu a 50 metros do polígono de segurança. Uma reunião entre representantes da Polícia Militar e o secretário de Turismo de Paraty, Wladimir Santander, vai definir como serão os desfiles desta segunda e terça-feira na cidade. Havia uma previsão de a cidade receber cerca de 350 mil turistas no período do carnaval.
De acordo com as investigações, Emerson seria desafeto dos atiradores. Ao avistarem a vítima na praça, eles descarregaram uma pistola nele. Depois de acertar o alvo, a dupla teria aproveitado o tumulto para se misturar na multidão e escapar depois em um barco que a aguardava:
– Tudo indica que o crime tenha sido premeditado. Eles foram direto até a vítima e quando fugiram, já havia um barco com um piloto a postos esperando por eles. Nós já temos a identificação dos atiradores e estamos tentando localizá-los. Estamos ouvindo outras vítimas e vamos também identificar os outros que reagiram a tiros e o piloto do barco – afirmou o delegado.
Segundo Gilaberte, outras vítimas tiveram ferimentos mais leves e não correm risco de morrer. Para ele, foi uma ação ousada, uma vez que a praça estava com policiamento reforçado.
– Foi uma grande ousadia. Eles sabiam que a praça estava bem policiada e, no entanto, foram direto até Emerson. O que, talvez, não esperassem é que os amigos da vítima também estivessem armados – afirmou.
Segundo ele, as duas comunidades estão separadas apenas por uma rua e têm tráfico de drogas controlado por quadrilhas rivais. Ainda de acordo com Gilaberte, Emerson tinha passagens na delegacia por desacato e porte ilegal de arma:
– Já houve vários registros de confrontos entre eles, mas nunca fora das comunidades.
Segundo a prefeitura, como o caso aconteceu próximo ao polígono de segurança, o socorro às vítimas foi imediato. A briga começou na passagem do último dos quatro blocos da noite de sábado.

O Globo

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